Crítica dos Trípticos

          Na primeira composição de Ana Franco, todas as três imagens se comunicam ao representar o elemento do papel dobrado da mesma forma, mas com perspectivas e contextos distintos. A primeira fotografia apresenta no centro uma grande mancha contínua de luz, ao mesmo tempo que é a única que mostra um fundo, dando dinâmica à composição pelo caráter vertical e pela maior escala, mesmo que os papéis se dobrem na horizontal. A segunda imagem soa cotidiana, confortável, como uma cortina, com os pontos de luz em dobras distintas, separados, complementando a primeira. A terceira fotografia, por sua vez, é a mais diferente, e que mais evidencia o material usado, há uma transição suave entre cada dobra, e dinâmica com a perspectiva vinda da esquerda, contra a luz à direita.


          Na segunda composição de Ana, mais chamativa, as imagens "explodem" e deixam uma margem menor no slide, sendo também mais horizontal. Os jogos de luz e a transparência transmitem uma estranheza agradável, curiosidade, com um contraste entre as imagens que cria uma lógica quase matemática. A primeira imagem, maior, e menos complexa, pode-se ver os reflexos da luz no objeto de vidro, com uma quebra no meio por outro objeto, ambos circulares, curvilíneos, e o ponto focal se situa no canto extremo superior direito. A segunda fotografia contrasta com a primeira com as "quebras", expressão pontiaguda e gritante, como um amassado, e ponto focal no canto extremo superior esquerdo. A terceira imagem soma as duas primeiras, lado a lado, mais plana e com pouco contraste, luz difusa, mostrando a mistura de duas grandes formas que se neutralizam.

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