Fichamento "Teoria do Não-Objeto"
Em 1959, Ferreira Gullar publica “A teoria do não objeto”, um manifesto no qual defende que a obra de arte deve conquistar uma existência autônoma, distanciando-se de qualquer função representacional.
Para Gullar, o não objeto é um “objeto especial” que sintetiza experiências sensoriais e mentais. Sua essência não está em retratar o mundo concreto, mas em constituir-se como presença pura, voltada para a vivência imediata do espectador.
Esse movimento em direção ao imaterial encontra raízes no expressionismo, em que a realidade já não era copiada, mas transfigurada. O processo de abstração, iniciado aí, intensifica-se gradualmente, embora raramente alcance a abstração absoluta que Gullar vislumbra.
Um dos pontos centrais da crítica do autor dirige-se à tela emoldurada, vista como uma barreira que separa o espaço da arte do espaço real. Romper com a moldura seria, portanto, um passo para dissolver os limites entre objeto e experiência, permitindo que a obra exista como entidade independente.
Em síntese, o não objeto se define por sua recusa: não tem utilidade, não carrega significado externo, não ilustra nada. Opõe-se frontalmente às noções acadêmicas, recusando o convencional e desafiando os artistas de seu tempo — ainda muito ligados a formas de representação, mesmo que indiretas — a criar aquilo que existe apenas por si mesmo.